Sobre Cosméticos

Você sabia que há 30.000 anos, no período da pré-história, homens e mulheres já usavam elementos encontrados na natureza, raízes, seiva, folhas, terra, argila e misturas de cinzas para pinturas corporais, proteção da pele e banhos? 

 

Quase que inerente aos seres humanos, o cuidado com a higiene pessoal se desenvolveu ao longo da história. Os egípcios (1.400 a.C.) já usavam a henna, ungüentos, incensos e cremes, os gregos (160 d.C.) eram responsáveis por desenvolver um creme moderno a base de cera de abelha, óleo de oliva e água de rosas que produzia uma sensação refrescante. 

 

 

A palavra cosmético vem do grego kosmetés, que era a pessoa que arrumava – colocava em ordem – as roupas, atavios, pinturas e perfumes de sua senhora (kósmesis era “enfeite, adorno”). O nome dessa função acabou originando o que conhecemos hoje como: cosméticos.

 

 

Atualmente mulheres usam em média, 10 cosméticos diariamente, entre maquiagem, shampoos, condicionadores, desodorantes, cremes, hidratantes, etc. Enquanto homens usam em média, 6 produtos ao dia. 

 

Mas será que realmente sabemos o que estamos usando? 

 

Segundo o Grupo de Trabalho Ambiental (EWG), organização dedicada ao combate de substâncias perigosas contidas em cosméticos, estamos expostos a 170 químicas nocivas a nossa saúde todos os dias. Formaldeídos, sulfatos, parabenos, petrolatum, corantes artificiais e fragrâncias sintéticas são alguns exemplos de substâncias que podem causar alergias, distúrbios hormonais, asma, irritações, e até câncer. 

 

 

Os conservantes, presentes na maioria dos produtos de beleza que nós conhecemos, são utilizados para evitar que os cosméticos estraguem. Apesar de eficazes na conservação da fórmula, o uso dessas químicas é extremamente prejudicial à nossa saúde. 

Alguns desses ingredientes tem a capacidade de "imitar" a ação do hormônio estrogênio no nosso organismo, o que pode estimular o crescimento anormal das células e contribuir para a formação de tumores. Eles conseguem penetrar a pele e se depositar nos tecidos, desencadeando reações alérgicas e inúmeros sintomas. 

Apesar de estudos apontarem os riscos, órgãos governamentais como ANVISA e FDA (responsável no controle de medicamentos, alimentos e cosméticos nos EUA), permitem o uso dessas químicas e afirmam que são seguras.

Os Cosméticos Naturais e Orgânicos são uma alternativa segura e saudável para todos. Mas para fazermos uma boa escolha entre qual produto usar, precisamos entender quais são as características principais destes produtos e qual a diferença entre eles. Então vamos lá...

 

Os Cosméticos Naturais e Orgânicos são livres de químicas nocivas à nossa saúde, podem oferecer propriedades terapêuticas como ação antisséptica, anti-inflamatória, bactericida, fungicida, contém em sua composição ingredientes de baixo impacto ambiental, contribuem e valorizam a agricultura local auxiliando a preservação da natureza, além de serem grandes aliados da Beleza Natural.  

 

No Brasil, ainda não temos uma legislação específica sobre este assunto. Essa é uma brecha usada por algumas marcas para dizer que seus produtos são "naturais", embora possam conter químicas nocivas à nossa saúde.

 

Mas não se enganem, a EcoCert e o IBD (Instituto Biodinâmico), em conjunto com um grupo de profissionais europeus que desenvolvem trabalhos na área de cosméticos, assumiram este ofício por enquanto.

A certificação EcoCert de cosméticos orgânicos e naturais, registrado no Ministério da Indústria e Comércio da França, é reconhecida e aceita por consumidores de 80 países. Já o IBD Certificações - é uma empresa 100% brasileira que desenvolve atividades de inspeção e certificação agropecuária, de processamento e de produtos extrativistas, orgânicos, biodinâmicos e de mercado justo (Fair Trade).

No entanto, elas, por sua vez, não são unânimes em suas normas.

 

Para o IBD, um Cosmético Natural precisa ter 5% (sobre o total de ingredientes) de sua fórmula composta por ingredientes orgânicos. Os 95% restantes da formulação podem ser compostos por matérias primas naturais, como óleo de coco, manteiga de cacau, argila, aloe vera, extrato de camomila e diversos outros.

 

Já para a EcoCert, um Cosmético Natural deve ter no máximo 5% de ingredientes de síntese pura (sobre o total de ingredientes), mínimo 5% de ingredientes certificados orgânicos (sobre o total de ingredientes) e mínimo de 50% de ingredientes vegetais certificados orgânicos (sobre o total de ingredientes vegetais).

 

 

Com relação aos Cosméticos Orgânicos, o IBD estipula que estes devem possuir no mínimo 95% de matérias primas orgânicas em relação ao total de matérias primas (naturais, orgânicas, derivadas de naturais) utilizadas na formulação. Enquanto a EcoCert determina que um Cosmético Orgânico contenha 95% de matérias primas orgânicas em relação à quantidade total de matérias primas vegetais utilizadas na formulação.

Em outras palavras, podemos dizer que cosméticos orgânicos devem conter em sua maior parte ingredientes naturais provenientes da produção orgânica, bem acima dos 5% exigidos para os cosméticos naturais.

 

Além disso, há uma variedade de cosméticos naturais e orgânicos que contém selos que inspecionam e garantem a não utilização de quaisquer tipos de testes em animais, ingredientes de origem animal, animais ou partes de animais. Selos como Vegan, Cruelty Free, Produto Vegano, são exemplos destas certificações.

 

Vale lembrar que a beleza é um estado de consciência que vai muito além do que usamos para nos “embelezar”. Estar belo é um conjunto de escolhas conscientes onde olhamos para cada aspecto de nossa vida decidindo a cada momento qual rumo iremos tomar.

Por isso a importância em selecionar quais tipos de produtos iremos colocar em contato com nosso ser,  como vamos nos alimentar, que espécie de troca nas relações queremos ter e até quais pensamentos e emoções selecionaremos para nos nutrir no dia a dia.